sexta-feira, julho 21, 2006

Uma boa e outra para pensar!!!

Primeiro a para pensar :


O menino do ônibus

Paulo César da Silva nasceu em 14.01.1989. Filho de Silvia Ribeiro da Silva, desempregada, e de Sebastião de Jesus, cobrador de ônibus, Paulo não foi reconhecido pelo pai, que era casado com outra mulher quando ele nasceu. Estabeleceu uma ligação forte com o padrasto, sr. Benedito, motorista de ônibus aposentado, que depois também deixou a casa.

Aos 9 anos, Paulo passou a frequentar garagens de ônibus, onde era conhecido por motoristas e cobradores como o garoto que chamava a todos de "meu pai". Aprendeu, olhando os profissionais, a realizar pequenos trabalhos de manutenção e a dirigir. Nunca teve amizade crianças de sua faixa etária. Sempre procurou a companhia de adultos e oportunidades para trabalhar com ônibus. Dormia nas garagens e na casa de motoristas. Em 2002, apresentou-se com as mãos sujas de graxa e em trajes semelhantes ao de um condutor de ônibus na Viação América do Sul, pedindo trabalho.

Aos doze anos, cometeu seu primeiro furto. Tentou sair com um ônibus de uma garagem, mas não conseguiu, porque não sabia que o motor tinha que esquentar para que o freio funcionasse. Bateu em um poste. Na segunda tentativa, assumiu sozinho o volante de um ônibus na Cidade Tiradentes. Dirigiu, pela Radial Leste, até o parque Dom Pedro II. E voltou. Só parou quando, perseguido pela polícia, perdeu o controle do veículo.

Desde então, Paulo reincidiu mais de vinte vezes no furto de ônibus, sempre para dirigir. Tornou-se "multireincidente específico na prática de furtos de coletivos", recebeu várias penas para cumprir em liberdade assistida e passou 18 meses interno na Febem. Nesse período, quando tinha 14 anos, foi internado em uma unidade para maiores de 17, reincidentes graves, em Franco da Rocha, onde sofreu lesões corporais graves e abuso sexual.

Todos os atos infracionais cometidos por Paulo são leves, furtos sem grave ameaça ou violência. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, não seria aplicável a medida de internação. Foi com essa argumentação que a Procuradoria da Infância e da Juventude de São Paulo conseguiu, com um recurso ao Superior Tribunal de São Paulo, um habeas corpus para colocar fim à longa temporada do jovem na Febem.

Em 11 de maio de 2006 Paulo César encerraria o cumprimento de seu período de liberdade assistida. No fim de abril, no entanto, furtou um ônibus em São Bernando do Campo, dirigiu até Rudge Ramos e parou no estacionamento de um supermercado, onde foi detido. Passou duas semanas na Delegacia de Diadema, até ser transferido para a Unidade de Atendimento Especial do Braz, no início de maio. Ele se encontra lá até hoje.

Desde a primeira página de seu processo, em 2002, assistentes sociais, agentes de liberdade assistida, psicólogos da Febem, juízes e procuradores da Infância e da Juventude admitem, reiteradas vezes, que a obsessão por ônibus de Paulo tem fundo psicológico. Desde então ele "manifesta um desejo incessante pelo trabalho, principalmente as atividades voltadas a veículos movidos a diesel". E nunca cometeu outro ato infracional além de furtar veículos. Independente dessa constatação e de estar sob cuidados da Febem desde os 12 anos, ele, aos 17, se encontra internado sob o argumento de que – ainda – precisa estar ali para fazer tratamento psicológico.

Autor desconhecido, recebi por e-mail em uma das listas de Hip Hop das quais eu faço parte, mas me levou a pensar em váááááárias outras coisas, então convido vocês ao debate.